Há uma borboleta numa estatueta que afunda e se
choca no fundo do mar.
Uma mulher desperta. Um homem desperta.
O homem avista e segura uma borboleta. A mulher se apercebe de seus ferimentos corporais. No
momento em que ele aproxima a borboleta de si e a beija, o homem e a mulher acordam um
para o outro. Se veem, se tocam. Ele avista em suas costas
uma série de cortes, como uma contagem na carne, e seu rosto se contrai em sensibilidade a sua dor.
Ambos
estão de pé, nus. Abraçam-se e se vestem. Dançam.
Duas sequências de cenas são intercaladas.
Duas sequências de cenas são intercaladas.
Na
primeira
delas ele usa um tipo de bolero felpudo, rosado. e uma meia-calça
escura, com listras irregulares pretas, que invocam certa animalidade.
Já ela,
veste uma calça leve e uma blusa longa, de tecido fino, malhado de tons ocre, cinza e preto, por cima de uma blusa branca, de
mangas e gola pretas e fechadas.
Na
segunda sequência de cenas, as vestes são, para ele, uma cueca branca e, para
ela, um robe de seda com flores de cores leves, bordadas sobre um áureo bege.
Eles
estão em uma sala de paredes marcadas por retângulos vazios e distantes uns dos outros. Há uma janela pela qual olham. Movem-se e seus olhares vêm a se encontrar.
Ele tapa os olhos dela, conduz a dança com movimentos bruscos e surpreendentes. Ela vai ao êxtase, depois do qual desliza pelo corpo dele e cai ao chão.
Ele vai até ela e a segura pelos braços. Ela se propulsiona nele e seus corpos se encaixam.
Com os braços e mãos abertos e esticados, eles se aproximam num abraço vazado. Ela se adapta a ele, achega-se a seu peito e num movimento rápido o cobre com seus cabelos. Seguram-se pelos braços. Cada um deles recolhe a outra de suas mãos e a coloca sobre sua própria face. Os dedos se unem e as mãos que ocultam as faces se distanciam, revelando seus olhos fechados. As mãos se abrem em um novo despertar e a cena é cortada.
Com os braços e mãos abertos e esticados, eles se aproximam num abraço vazado. Ela se adapta a ele, achega-se a seu peito e num movimento rápido o cobre com seus cabelos. Seguram-se pelos braços. Cada um deles recolhe a outra de suas mãos e a coloca sobre sua própria face. Os dedos se unem e as mãos que ocultam as faces se distanciam, revelando seus olhos fechados. As mãos se abrem em um novo despertar e a cena é cortada.
Eles estão
sentados agora em uma cama. Vestem as roupas que usaram para dançar, mas ele veste as roupas dela e ela as dele.
Dois homens entram no quarto. O primeiro deles tem barba e cabelos compridos, o segundo parece o fred mercury e usa um cap branco.
Ela fecha os olhos, ele continua olhando.Dois pirulitos translúcidos com um escorpião no centro são passados a eles. Eles lambem o doce avidamente enquanto são amarrados e vendados. Os dois homens então os assopram para fora do quarto, ao longo de um corredor mal iluminado, repleto de guimbas de cigarro pelo chão. Uma lâmpada se acende, alguns postes fulguram e eles atravessam uma alameda ladeada por um muros, tubos, grades e galhos.
Ela fecha os olhos, ele continua olhando.Dois pirulitos translúcidos com um escorpião no centro são passados a eles. Eles lambem o doce avidamente enquanto são amarrados e vendados. Os dois homens então os assopram para fora do quarto, ao longo de um corredor mal iluminado, repleto de guimbas de cigarro pelo chão. Uma lâmpada se acende, alguns postes fulguram e eles atravessam uma alameda ladeada por um muros, tubos, grades e galhos.
Passam
por um quadro de partes brancas e pretas, de tons vermelhos e cinzas, que
revela um coração e um rosto humano, os quais se sobrepõem parcialmente, tendo um olho em comum ao centro.
O casal é assoprado até chegar a um carro vermelho em uma
garagem ampla e vazia. Sentam-se nos bancos de trás, os dois homens ficam à frente. Há uma superfície lisa, vertical, próxima ao carro. Ela os reflete, como um espelho faria, mas depois passa a apresentar imagens do fundo do mar. E eles já não estão mais na garagem.
Os dois homens levantam as mãos, como se a inércia agisse sobre eles ao que afundam em profundas águas. O casal está vendado no banco de trás e lambem loucamente seus pirulitos brilhantes.
Os dois homens levantam as mãos, como se a inércia agisse sobre eles ao que afundam em profundas águas. O casal está vendado no banco de trás e lambem loucamente seus pirulitos brilhantes.
A cena é
cortada, não há mais carro e o telão é um frio espelho que reflete quatro
jovens pirando sentados em cadeiras numa garagem deserta. Tudo se mistura, o fundo do mar, a
garagem; a presença e a ausência do carro; o telão a refleti-los de
diferentes formas, tubarões que passam nadando.
O homem
dos cabelos compridos fica olhando a própria mão e o outro reage a desatenção quebrando uma garrafa em sua cabeça. Fumam cigarros invisíveis. Mexem a cabeça. Dançam sentados. Tremem. Fritam alucinadamente e o tempo passa acelerado,como horas de loucura em um minuto de lembrança.
O casal é
desamarrado, desvendado e conduzido a um quarto. É um quarto similar ao inicial,
mas há quadros nas paredes e nos quadros, borboletas emolduradas.
Os olhos dele se enchem d'água ao que
parece ser levado por distantes memórias. Ela observa o local, mas logo se deixa levar e vai acrobaticamente até ele.
Envolvem-se
em nova dança. Ela o atrai e afasta. Ele a retém e a segura pelos peitos. Tira a blusa e senta em uma cadeira enquanto ela
expõe sua beleza e força fazendo contorcionismos. Ele a toma e, fazendo uso de uma caneta grossa preta, desenha
sobre seu tronco nu uma face rústica. Ela reclina a cabeça para trás, oferecendo o corpo.
Ele a venera, segurando-a pela cintura e beijando-a. Borra os traços. Sua boca está suja e seus olhos brilham.
Ele tem uma folha grande branca e refaz o desenho, que dessa vez se assemelha a uma mulher. Há um terceiro olho, que brilha ao centro de sua testa.
Ele tem uma folha grande branca e refaz o desenho, que dessa vez se assemelha a uma mulher. Há um terceiro olho, que brilha ao centro de sua testa.
Assim que ele abaixa o desenho, ela está de pé, em frente a ele, irada, segurando um pequeno quadro no
qual há uma única borboleta emoldurada: ela.
Ela ergue
o pequeno quadro e berra: "look!".
Ele está
na ponta do quarto, em postura receosa, segurando fechado seu robe de seda
Ela completa: “what do we have to do to get you out of this?”
Ele ri
confrangido, como se o que ela dissesse não fosse possível.
Ela dá um
tapa na cara dele.
Ele fica surpreso, ergue abertas as mãos.
Segura o quadro da mão dela e o atravessa com um soco.
Ele se agacha, recolhe a borboleta e levanta empunhando-a, querendo mostra algo quando... Ela já não está mais lá.
Ele a olha em volta, berra. Apoia-se cabisbaixo no armário, diante do espelho.
Ele fica surpreso, ergue abertas as mãos.
Segura o quadro da mão dela e o atravessa com um soco.
Ele se agacha, recolhe a borboleta e levanta empunhando-a, querendo mostra algo quando... Ela já não está mais lá.
Ele a olha em volta, berra. Apoia-se cabisbaixo no armário, diante do espelho.
Uma
estatueta de um cavalo é quebrada no fundo do mar.
Ele cospe
um pedaço da estátua e dá um murro no
espelho.
Pega uma gaveta e a arrebenta na parede, derrubando o que está na parede. Despedaça uma cadeira de madeira. Apoia-se na parede, sua mão está sangrando. Arranca a ornamentação da cama e envolve o punho ferido.
Outras
pequenas estátuas se arrebentam no fundo do mar, um homem, duas
pessoas de vestes coloridas, uma mulher de vestido...
A mulher
aparece novamente no quarto e o esbofeteia no rosto. Ele vai para cima e pula sobre ela na cama, durante o salto em câmera lenta a imagem queima e se rasga ao centro.
Ele está por cima dela na cama.
Ela se agarra a armação de ferro.
Empunhando um caco de vidro ele corta suas costas e sussurra em seu ouvido. Segura seu pescoço, beija por trás seu rosto.
Ela se agarra a armação de ferro.
Empunhando um caco de vidro ele corta suas costas e sussurra em seu ouvido. Segura seu pescoço, beija por trás seu rosto.
Ele tem a
parede atrás de si e seus olhos equilibram lágrimas.
Estão adormecidos. Há uma borboleta entre seus corpos na cama.
Os dois
homens brancos e barbudos adentram o quarto vestindo uniformes. Eles varrem o chão e recolhem
os cacos e destroços, deixando o local como na cena inicial.
Uma mulher desperta. Um homem desperta...