domingo, 6 de março de 2016

SOL

Explêndido. Ele de fato consegue fazer um retorno ao aqui e agora e se expressar de uma maneira que rasga com as redes de aprisionamento dos discursos numa ladainha sistemática de bateção de idéias. Essas histórias, piadas, metáforas, principalmente quando ele fala da pessoa com que esteve, são os grandes momentos. É o colecionar desse tipo de experiências de troca que farda esse homem. E ele é incrível, com seu jeito esquisito mexendo a blusa o tempo todo. Ele verborragia as palavras e enfrenta as ondinhas que mandam contra ele, agita as águas e mostra que o mar tá revolto demais. Sobre o desejo, é um vazio guloso que se ocupa do que não tem. O momento passa num vap. O pico é lá em cima, lá em cima quanto? Como construir flutuações mais perenes de saciedade? Nossa mente continua vagando de uma coisa pra outra se nos fixamos apenas no momento de obtenção. Há de haver um 'fazer com'. Mesmo pro sexo, como é o durante? Em caso contrário há a ejaculação precoce. Mas como pode existir um durante se o casal não se suporta? como pode existir um durante se a pessoa não suporta a si mesma, se precisa cortar a ponta do rolo de filme continuamente porque "meu deus tá enfadonho, troca!" e pega um cigarro pra fumar na janela sem sair da porra da gaiola de fumaça. Hum... Achei algumas das tirinhas de muito mal gosto, o charginista é fodaço e tal, mas... não gostei. Principalmente daquela sobre Tolerância e Intolerância. Ele picotou o discurso do Zizek e mandou uma frase parabólica que vaza no meio. A melhor das charges foi a do Zizek-deus-Hindu.