Explêndido. Ele de fato consegue fazer um retorno ao aqui e agora e se
expressar de uma maneira que rasga com as redes de aprisionamento dos
discursos numa ladainha sistemática de bateção de idéias. Essas
histórias, piadas, metáforas, principalmente quando ele fala da pessoa
com que esteve, são os grandes momentos. É o colecionar desse tipo de
experiências de troca que farda esse homem. E ele é incrível, com seu
jeito esquisito mexendo a blusa o tempo todo. Ele verborragia as
palavras e enfrenta as ondinhas que mandam contra ele, agita as águas e
mostra que o mar tá revolto demais. Sobre o desejo, é um vazio guloso
que se ocupa do que não tem. O momento passa num vap. O pico é lá em
cima, lá em cima quanto? Como construir flutuações mais perenes de
saciedade? Nossa mente continua vagando de uma coisa pra outra se nos
fixamos apenas no momento de obtenção. Há de haver um 'fazer com'. Mesmo
pro sexo, como é o durante? Em caso contrário há a ejaculação precoce.
Mas como pode existir um durante se o casal não se suporta? como pode
existir um durante se a pessoa não suporta a si mesma, se precisa cortar
a ponta do rolo de filme continuamente porque "meu deus tá enfadonho,
troca!" e pega um cigarro pra fumar na janela sem sair da porra da
gaiola de fumaça. Hum... Achei algumas das tirinhas de muito mal gosto, o
charginista é fodaço e tal, mas... não gostei. Principalmente daquela
sobre Tolerância e Intolerância. Ele picotou o discurso do Zizek e
mandou uma frase parabólica que vaza no
meio. A melhor das charges foi a do Zizek-deus-Hindu.