sexta-feira, 12 de junho de 2015


O ANÃO DE ALÉM-MUNDO

- Peter
- Yes, Mom!
- Veio um cara do emprego te entregar um prêmio hoje.
- Um prêmio? Eu te disse mãe, não estou mais trabalhando...
-Mas foi ele quem disse e estava bem sorridente.
(Peter coloca a mão na cabeça... seria possível?)
-Vai ver que existe uma competição dos melhores labirintos de jornal...
-Não sei mãe, quem faz labirintos de jornal em dias como esses... Em que está tudo na tela de um celular.
- Vai ver que é um prêmio estrangeiro... De uma terra em que as pessoas ainda se importam em riscar o papel.
- A verdade é que meus labirintos não eram tão bons... O Tio Fred me mantinha lá por caridade. Porque era meu tio.
- Não diz isso.
- É verdade... De qualquer forma, agora estou muito melhor.
- Mas não ganha dinheiro algum
- Dinheiro não é tudo, mãe.
- É com ele que compro comida. pra colocar na mesa. pra você.
<fatality>

Pedro recolheu-se a insignificância de seu pequeno quarto azul.
Quando menos esperava, um homenzinho carregando uma pasta bateu a janela.
Tinha um bigode simpático, desses que dão voltinha na ponta.
Peter abriu a janela e o homem escorregou para dentro do quarto.
- É um prazer revê-lo, meu filho.
-Hum? Nos conhecemos?
- Podemos dizer que ‘sim’ e que ‘não’. E que ainda. E que talvez. De modo que prefiro passar direto ao ponto que aqui me traz:
Ontem alguns dos nossos técnicos detectaram um alto nível de ‘energia regenerativa’ numa região desértica e mal-acabada (em ruínas!)... Uma região que há muito não era visitada... por ficar depois de negros labirintos... 

Descobrimos, entretanto, porventura, que um pássaro levou uma semente até lá. E esse pássaro... Destemido, eu diria...  E a árvore que lá nasceu... São de um tipo que nunca vimos antes. Como se cada veio da árvore fosse uma veia aberta. Como se cada pena do pássaro quisesse por si voar.  E se sabem, falam entre si... conversam.
Venho aqui para lhe agradecer! Há muito tempo ninguém criava árvores tão majestosas e pássaros tão píndaros nas terras de fantasia. E pedimos apenas que continue... Que as mudinhas que você planta com o pincel se tornam mundos para um sem-número de criaturas fantásticas. Os dias de hoje não estão fáceis, somos tantos desabrigados... O solo é duro, rochoso...
A esse momento Peter já dormia... Mas no dia seguinte, ao acordar se surpreendeu! Não lembrava daonde tinha tirado energias pra dar curso ao riacho que começara a pintar...