Quando vi que era porto, parti
Quando vi que era porto em que estava,
Quando vi que era porto em que estava,
Me fiz caravela e parti
Partindo o mar em dois braços
As espumas atrás em enlaço
Selando meu rasgo no mundo
Ademais o naufrágio
Ou o como diz o adágio:
Seja o que deus quiser.
O nada me sobrepujou,
Jogou-me num triste vazio.
Sozinho tentava escapar,
Mas não havia caminho.
As portas, janelas, passagens
Desmanchavam em miragens e ilusão.
O chão se estendia sem fim,
De mim a qualquer direção.
A luz era débil e fria,
Afundava nos ombros um peso,
Preso no fundo do mar,
Vagava eu a esmo sem termo.
No ermo império do mudo,
Cemitério de todo sentido
Esvaído o desejo-insumo
Estrangula a palavra sem grito
26/02/15